sábado, 12 de outubro de 2013

Rapel em Cajuru

Hoje cedo minha mãe foi caminhar na avenida.
Ela estava de chapéu por causa do sol.

No meio da caminhada, bateu um vento forte e levou o chapéu dela pra dentro do córrego.
Ela ficou muito triste porque além do sol fritar sua cabeça, ela adorava aquele chapéu. Assim, ela viu ele ir embora com a água.
Chegou aqui em casa e contou a história pro meu pai, que falou:

"não acredito, vamos lá pegar esse chapéu!"

E assim, sem mais nem menos, os dois saíram e foram atrás do bendito.
Chegando ao córrego, eles observaram o chapéu preso a um montinho de folhas e barro.
Meu pai, então, analisou a situação, pegou uma corda, amarrou em um coqueiro ao lado da avenida e, achando que sabia alguma coisa de rapel, desceu a parede do córrego e recuperou o chapéu voador.

Porque comprar outro chapéu é para os fracos.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

O começo do fim...

Anos maravilhosos. Meus anos maravilhosos.
Sem sombras de dúvidas, foram esses quatro anos.
Antes de ir para a faculdade, sempre recomendavam que eu a aproveitasse ao máximo, pois seriam os melhores e mais rápidos anos da minha vida.
Eu não entendia direito o porquê...
Foi na faculdade que eu fiz grandes e eternos amigos. Foi onde eu aprendi que nem sempre é dentro da sala de aula que aprendemos as verdadeiras lições e que o coreto e a cantina são ótimos lugares para se passar o tempo. Foi na faculdade que eu aprendi o real significado de “dinheiro na mão é vendaval” e como xerox, apesar de não parecer, pode te deixar falido. Foi na faculdade que eu me apaixonei pela dança de salão e onde eu encontrei a minha alma gêmea. Onde eu aprendi a lidar com o trabalho em grupo e com a solidão. Onde eu experimentei o sabor da liberdade e as consequências dela. Onde eu conheci extremos, como comer comida japonesa em um dia e resto da janta de ontem, no outro; estudar um mês antes de uma prova e virar a noite fazendo um trabalho para o dia seguinte; andar de carro em um dia e de bicicleta no outro. Onde eu aprendi que miojo é uma ótima refeição e que um toddynho é um café da manhã de rei.
Enfim, agora eu sei (e como sei!) porque foram os melhores e mais rápidos anos da minha vida! E eu os devo a todas as pessoas que sempre estiveram comigo, ao meu lado, me dando força, se divertindo comigo, me levantando do chão. Entre eles estão os melhores pais do mundo, Seu Aguinaldo e Dona Marta, pois, apesar dos pesares, sem eles não teria chegado aonde cheguei.

Quanto aos outros, não preciso nem citar, eles sabem quem são.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Até mais Brasil! ¡Hola Argentina!

“A viagem muda, mas a história é a mesma”

Esse ano, que tal irmos para a Argentina? Não é perfeito? Não vai sair tão caro e já temos a casa de amigos para ficar.”
A ideia parecia interessante. Então, juntamos família, roupas, sapatos e, como se não bastasse, ingredientes para uma deliciosa feijoada!
Isso mesmo! Meus pais queriam levar um pouco da nossa culinária para os argentinos morrerem de inveja
Mas, como todos sabem, o transporte de alimentos, animais e plantas é proibido, portanto minha mãe tratou de esconder bem a comida toda. Bom, ao menos era o que ela achava.
Confiantes, partimos para o aeroporto.
E, sabe de uma coisa, o difícil não foi passar despercebidos pelo aeroporto de Guarulhos, claro que não...
O difícil ainda estava por vir.
Assim que pousamos em Buenos Aires, estávamos alegres e contentes cruzando o aeroporto para pegar nosso último voo, para Rosário, quando fomos abordados por um guarda:

[espanhol]Senhores, me acompanhem!”[/espanhol]

Lá fomos nós, um pouco menos alegres e contentes...
Chegando a uma sala, avistamos o motivo do “senhores, me acompanhem”:
Uma mala térmica com carne dentro.
Mais óbvio se fosse toda vermelha com um SADIA bem grande na frente.
Ei! Espera um momento! Era, de fato, uma mala térmica vermelha da SADIA!

[espanhol]Os senhores não foram avisados de que é proibido transportar comida de um país para outro?”[/espanhol]

[portunhol]Não, claro que não! Como poderíamos saber?”[/portunhol]

[espanhol]Lamentavelmente, teremos que incinerar toda a comida!”[/espanhol]

Apesar de não entender nada do que o guarda dizia, meu pai sabia que havia algo errado. E bastou isso para ele ficar todo vermelho de raiva.
Ah sim, e começar a discussão
Era um tal de "não vai incinerar minha comida" pra cá e "mas senhor, são as regras!" pra lá...
Enquanto isso, o nosso avião para Rosário estava quase partindo.
Vendo que aquilo não chegaria a lugar algum, minha mãe resolveu interceder dizendo que perderiam o avião se não fossem aquela hora!!
Meu pai, então, parou, olhou em volta e, quando todos nós pensávamos que esse fosse um sinal de que aquele seria o final do impasse, disse:

Bom, já que é assim, eu só saio daqui quando ver tudo queimado.”

E a discussão recomeçou...
Era um tal de "se eu não como ninguém come" daqui e "esse procedimento é feito em um lugar específico" de lá...
E o avião praticamente decolando. Mas quem se importa, não é mesmo?
Desse modo, meu pai foi deixando o guarda tão, mas tão enlouquecido que, em um acesso momentâneo de raiva, ele pegou toda a carne e jogou dentro do lixo mais próximo.
Depois, com sangue nos olhos, pegou álcool e com um isqueiro colocou fogo na bendita.
Meu pai ainda ficou uns minutos parado, de braços cruzados, olhando para a carne em chamas, antes de, finalmente, pegarmos nosso voo.

Não tivemos nossa deliciosa feijoada, mas pelo menos ficamos com o feijão, que estava escondido no meio das roupas

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Achou!

“Minha mãe sempre foi uma criança adorável. Tão adorável que com 13 anos foi internada em um colégio de freiras em São Paulo.”

Mas essa é outra história, para um outro dia.
A história que eu vou contar agora aconteceu antes, bem antes.
Quando minha mãe tinha apenas 6 anos de idade.
Ela morava, com meus avós e meu tio, em um apartamento um tanto quanto grande, de muitos aposentos.
Meu avô tinha ido trabalhar, meu tio estudar e minha avó estava prestes a sair de casa para resolver problemas diários.
Antes de sair, deixou com a empregada diversas recomendações sobre minha mãe:
Não perca ela de vista”
Não deixe ela subir em nada”
Não isso...”
Não aquilo...”
“Sim, senhora!”
E ouvindo tudo isso, minha adorável mãe pensou ser aquela uma excelente hora para brincar de esconde-esconde.
Assim que minha avó colocou o pé pra fora do prédio, minha mãe foi atrás de algum lugar onde nem Holmes conseguiria encontrá-la. Procurou, procurou e finalmente se deparou com um armário no fim do corredor. Um armário onde se guardavam vassouras.
Mais do que depressa, ela entrou no armário, fechou a porta e começou a espiar por um buraco tudo o que acontecia, ou viria a acontecer.
Viu a empregada caminhando normalmente de um quarto ao outro como se aquele fosse mais um simples dia de serviço.
Dado certo momento, a empregada notou a ausência da criança.
Começou a chamar por ela. E nada.
Chamou mais uma vez. E mais uma. E outra novamente.
Até que sua calma e tranquilidade deram lugar ao desespero e a uma voz esganiçada.
Entrava freneticamente nos quartos, cozinha, banheiro, sala, banheiro, quartos, cozinha, sala, quartos, banheiro, cozinha... sempre chamando pela criança.
Quando percebeu que não, minha mãe não se encontrava em lugar nenhum, supôs que ela tivesse saído do apartamento.
Saiu pelas escadas chamando vizinhos, faxineiro, porteiro perguntando se não tinham visto uma menininha.
Como ninguém sabia de nada, a empregada aflita voltou ao apartamento para ligar para meus avós.
A brincadeira virou coisa séria (e muito séria).
Ao ver todas aquelas pessoas no apartamento, minha mãe ficou com receio de sair do armário. Quando viu, então, que meu avô também estava no meio, decidiu não sair nunca mais. Pronto. Resolvido.
Um tempo depois, percebeu que minha avó havia chegado.
Um frio tomou conta da sua barriga, afinal ela sabia o que a esperava.
Minha avó não era nenhuma flor que se cheirasse.
Quando meu avô decidiu finalmente que o melhor seria ligar para a polícia, todos concordaram, exceto ela.

Ela deu uma boa olhada a sua volta: porta, sofá, mesa, televisão, corredor, armário. Armário.
Pelo buraco, minha mãe podia sentir o olhar da minha avó penetrando. Olhos de quem diz “Eu sei que está aí!”
“Alguém olhou dentro do armário?”
Meu avô tentando ser razoável:
“E você acha que se ela estivesse lá dentro já não teria saído?”
Então, ela começou a ir em direção ao móvel. Sua sombra aumentando mais e mais até que...
Seus olhos se chocaram com os da minha mãe, que só conseguiu pensar em uma coisa para falar:
ACHOU!”

Foi a primeira grande surra de sua vida.

sábado, 14 de agosto de 2010

Férias na praia III

“Senso de localização definitivamente não é nosso forte”

Estávamos, mais uma vez, na praia do Lázaro.
Não satisfeita em ficar ali, minha mãe queria conhecer a praia Domingas Dias (uma praia particular, situada em um condomínio exatamente ao lado da praia do Lázaro).
Colocamos todas as nossas tralhas no carro e fomos para a tal praia.
Chegamos à portaria do condomínio.
O porteiro, muito gentil, começou a explicar como se chegava à praia:
O senhor vira nessa rua, depois vira naquela, depois...”
Mas ele foi interrompido pelo meu pai, também muito gentil:
Tá bom! Tá bom! Já entendi! Você acha que eu não sei como chegar?”
E deixou o porteiro gentil falando sozinho.
Bom, estacionamos e movemos toda a nossa tralha para as areias da Domingas Dias.
Nos sentamos à sombra, sempre comentando:
Nossa! Olha como essa praia é muito melhor! Tem menos ondas...”
Mais sombra...”
A areia é fofinha...”
Não há tantas pessoas...”
Tem mais segurança...”
Depois desse “momento fascínio”, minha mãe, como adora caminhar na areia, convenceu meu pai, que odeia caminhar na areia, a dar uma voltinha.
Ficamos eu e minha irmã.
Passados cinco minutos, meus pais estavam de volta.
Minha mãe falando em um tom de voz suficientemente alto para todos a nossa volta escutarem:
Meninas, vocês não vão acreditar!!!”
O que aconteceu?”
Eu pensei em tragédias, micos, menos em...
Nós estamos na PRAIA DO LÁZARO!”
Eu juro que não entendi na hora! Como era possível?
Fácil: devido a teimosia do meu pai, nós conseguimos rodar, rodar, rodar e parar na mesma praia.

Só que na outra ponta.
Minha mãe começou a contar que enquanto estava caminhando, notou e comentou certas familiaridades com a praia do Lázaro (a barraca de tatuagens, o bar onde nós comemos, a árvore onde nós estávamos) para o meu pai.
E ele, mesmo com todas as evidências, sempre dizendo:
Magina! Você acha que a gente não perceberia se estivesse na mesma praia?”
Pois é, eu acho.

E eu não quero nem saber o que as pessoas a nossa volta pensaram quando viram que a gente não sabia nem onde estava.

sábado, 7 de agosto de 2010

Férias na praia II

“Quer tirar meu pai do sério? Mexa nas suas economias.”

Meus pais, minha irmã, eu e um amigo nosso estávamos em Ubatuba, em uma bela noite de sexta, passeando no shopping.
Passamos por um caixa eletrônico e então meu pai teve a brilhante ideia de ensinar como que se sacava dinheiro.
Entramos no lugar.
Prestem muita atenção porque agora papai vai mostrar como que se saca dinheiro.”
Tecla daqui, tecla de lá. Pipipi popopó.
Bom, agora nós esperamos o dinheiro sair!

...

"Ué!
Sim. O dinheiro, por qualquer motivo que fosse, não saía.
Ele tentou de novo, e de novo, e no saldo constava que o dinheiro havia sido sacado.
Então, com toda a paciência que ele nunca teve, ele começou a ficar vermelho e xingar a máquina.
Como se aquilo tudo fosse adiantar alguma coisa.
Um guarda que passava por ali resolveu ir verificar o motivo dos gritos.
Meu pai explicou o que havia acontecido e o guarda disse que ele teria que ir ao banco para resolver.
Bom, pela sua reação, essa não era a resposta que ele queria ter ouvido.
Ele começou a falar que não sairia dali enquanto não visse o dinheiro.
O guarda falando que não.
Ele falando que sim. Os dois começaram uma discussão.
Meu pai falou então nervoso para minha mãe:
Vai lá na praia e pega areia que eu vou engripar isso aqui. Se eu não conseguir meu dinheiro, ninguém mais consegue.”
O guarda começou a falar que se ele fizesse isso eles teriam que ir para a delegacia.
baixaria.
Enfim...
A boa notícia é que minha mãe conseguiu convencer meu pai de parar de agir feito um louco e ir ao banco para resolver o problema.
A má notícia é que o banco só abria na segunda-feira.

Imaginou como foi o nosso fim de semana?
Não... você não imaginou!

sábado, 31 de julho de 2010

Sabe um daqueles dias...

"...em que você para e pensa: 'Nossa, nada pode acontecer de errado!'”

Eu pensava desse jeito. Pensava.
Na sala de estar da minha casa tinha um sofá.
Atrás do sofá tinha uma janela.
Da janela se via o quintal que por sua vez dava para a rua.
Estava eu, em um belo dia de sol, sentadinha nesse sofá.
Estava com meu notebook no colo digitando coincidentemente uma das minhas histórias e, mais uma vez, pensando:
Não está realmente um dia perfeito?”
Bom, no auge da minha digitação, quando nada mais poderia me interromper, sinto uma coisa me acertando. Algo que, na hora, não consegui definir.
Será um bicho? Uma folha de alguma árvore? Será...? será...?”
Quando levantei a mão e usei o poder do tato para saber o que me acertara, lá estava: um dejeto (mole, por sinal) de um animal que obviamente deduzi ser um passarinho.
E quando dei por mim, percebi que meu cabelo não havia sido o único alvo da criatura do mal. O bolo fecal foi tão eficiente que acertou o meu teclado lindo (e, até então, limpinho) e com tal intensidade que, não satisfeito, sujou a tela toda.

Sabe, eu estava no meu cantinho, dentro da minha casa sem causar nenhum malefício a natureza.
Porque?

Pois é, depois dessa... o que é que não pode me acontecer?